Ouro Verde é cenário de curta-metragem que vai marcar 70 anos do Cine Teatro

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O Natal do ano que vem será mais especial para os londrinenses, porque também marcará o 70º aniversário de um de seus ícones arquitetônicos, históricos e artísticos: o Cine Teatro Universitário Ouro Verde. Foi inaugurado em 24 de dezembro de 1952. Palco de memoráveis e diversificados eventos, como formaturas, apresentações de orquestras e peças de teatro, o local será, neste final de semana (sábado e domingo, dias 16 e 17), cenário para um trecho do curta-metragem “Albedo”.

Patrocinado pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura), o filme “passeia” pelos ambientes do edifício ao narrar três momentos da vida do personagem central da trama, ligados à própria história do teatro, como a apresentação do dançarino japonês Kazuo Ohno no Festival Internacional de Londrina (FILO) de 1992.

(Divulgação).

“O filme atravessa praticamente todos os espaços do teatro seguindo a personagem principal, Helena. Primeiro ela aparece como uma menina de 7 anos que vai com sua mãe à inauguração do Ouro Verde, então considerado um dos maiores e melhores cinemas da América Latina, em 1952. Depois, retorna ao teatro com aproximadamente 30 anos, já uma atriz de carreira nacional que volta a Londrina pela primeira vez como protagonista de uma grande peça. Por fim, ressurge aos 60 e poucos anos, como atriz consagrada que faz um monólogo em defesa da arte”, explica o diretor Auber Silva, que também assina o roteiro do curta-metragem. De acordo com ele, entremeando a narrativa, diversas performances prestarão homenagem a diferentes expressões artísticas que ocupam, há décadas, o mais importante espaço cultural da cidade.

Projeto

Ainda segundo o diretor, a ideia inicial do projeto surgiu em 2013, no ano seguinte ao incêndio que atingiu o Ouro Verde. O projeto ficou parado até 2019, quando foi aprovado em um edital para produções audiovisuais do PROMIC, ainda com o título antigo, “Terceiro Sinal”. Em 2020, o curta-metragem teve sua pré-produção interrompida pela pandemia, só sendo retomado no início do segundo semestre de 2021.

Produzido pela UABI Filmes, “Albedo” envolve cerca de 50 profissionais, entre equipe e elenco. O filme deverá ser concluído em dezembro e lançado em 2022, quando o Ouro Verde completa 70 anos. “Albedo” é o segundo capítulo de uma tetralogia em desenvolvimento. A primeira parte, o curta “Nigredo”, foi lançado em 2019 e teve circulação em festivais internacionais de Argentina, Colômbia e Espanha, entre outros países, ao longo dos últimos anos.

“Albedo” é um termo da Física associado ao poder de reflexão e absorção de luz de uma superfície. Mas, na Alquimia, a palavra significa “esbranquiçado”. Foi adotada pelos alquimistas para designar o segundo estado de um processo de purificação. É precedida pelo estado “nigredo” (morte espiritual), título do primeiro curta; e sucedido pelo “citrinitas” (despertar) e “rubedo” (iluminação).

Ouro Verde

Localizado no Calçadão de Londrina, na rua Maranhão, 85, o Ouro Verde foi projetado pelo renomado arquiteto modernista paranaense João Batista Villanova Artigas (1915-1985), que legou um conjunto de obras nos estados do Paraná e São Paulo até hoje estudadas pelos arquitetos. Em Londrina também projetou o edifício Autolon (1953), vizinho do Ouro Verde, e a antiga estação rodoviária da cidade (1950), desde 1993 o Museu de Arte de Londrina.

O então Cine Ouro Verde foi comprado pela Universidade Estadual de Londrina em 1978, quando passou a se chamar Cine Teatro Universitário Ouro Verde e a ser palco de espetáculos teatrais, musicais, de dança, além de sediar conferências e outros eventos acadêmicos e sociais.

Na década de 80, era não apenas o mais importante espaço cultural da cidade, mas palco principal do FILO – Festival Internacional de Teatro de Londrina. Em 1999, o edifício foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Paraná.

Em 2012, um curto circuito provocou um incêndio que comprometeu grande parte de estrutura do teatro, levando à suspensão das atividades. A reinauguração ocorreu só em 2017, depois das reformas e adaptações exigidas pelas normas vigentes.

(Com informações da Assessoria).



com informações de O Perobal, o jornal online da UEL

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