Projeto SERÁ? estreia com espetáculo on-line “A Madrinha” nesta sexta-feira (26)

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O espetáculo de teatro infantojuvenil “A Madrinha”, que terá nove apresentações on-line entre novembro e dezembro, marcando a estreia do Projeto SERÁ?, terá seu primeiro evento transmitido nesta sexta-feira (26), às 11h, no canal do YouTube da Palipalan Arte e Cultura. Em todas as datas da programação, os atores Paulo Barcellos e Marcos Martins, idealizadores da iniciativa, atuarão ao vivo na peça teatral que é patrocinada pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic) e recebe apoio da Secretaria Municipal de Educação.

O Projeto SERÁ? é composto por temporada de nove eventos gratuitos que serão realizados, sempre com transmissão ao vivo, nos dias 26, 27 e 28 de novembro, e também em 3, 4, 5, 10, 11 e 12 de dezembro. As apresentações são sempre às sextas, sábados e domingos, às 11h, pelo mesmo canal da atração de estreia.

Este projeto nasceu da ideia de adaptar contos da literatura infantil que fossem de temas de difícil abordagem, considerados tabus, como a sexualidade, a morte, o erro e o preconceito, por exemplo. O espetáculo A Madrinha é baseado no conto “A Madrinha Morte”, dos Irmãos Grimm, Jacob e Wilhelm, acadêmicos, poetas e escritores alemães.  A ideia surgiu impulsionada pela pandemia e as consequências disso no imaginário do público alvo do espetáculo, as crianças de 5 a 10 anos de idade, confinadas em casa e tendo que lidar com conceitos que nem sempre fizeram parte do universo infantil

Segundo Paulo Barcellos, a finitude da matéria é um assunto delicado para se tratar com as crianças. “Ao torná-lo explícito, temos a possibilidade de enfrentá-lo de modo mais orgânico e cuidadoso. Em alguma medida a criança já elabora suas perdas e ‘lutos’ em brincadeiras, jogos e construção de ficção, mas geralmente não encontra espaço para compartilhar essas questões com o outro e elaborar os conteúdos que estão trazendo prejuízo à sua vida pessoal e social”, afirmou. Barcellos também disse que a peça serve para estimular as crianças a construírem suas próprias ficções.

Os ensaios começaram em maio de 2021, a partir da estrutura original do conto. Conforme o conhecimento sobre o texto evoluía, surgia a possibilidade de explorar a narrativa com outros elementos, fazendo usos outros recursos para que tudo virasse uma grande brincadeira de gente grande para gente pequena. Vídeos, máscaras, figurinos, adereços, efeitos de luz e sons foram colocados à disposição da narrativa, como um metateatro.

O carioca Marcos Martins ressaltou que esse tempo de pandemia fizeram os atores e envolvidos na peça refletirem sobre o tema morte. “A gente chegou a esse conto dos Irmãos Grimm, que nesse momento de pandemia despertou a ideia. Trata-se de um tema difícil de conversar com a criança, nós tentamos levar esse tema de maneira leve, brincando, para que as crianças pudessem brincar também e refletir, e com suas ferramentas irem construindo o significado do que é a morte”, frisou.

Martins explicou que, na montagem do espetáculo, objetos simples podem ser de interesse da fantasia para as crianças. “Dessa forma, a gente montou todo o cenário dentro de um quarto de apartamento, e com a câmera do celular a gente vai passando por pequenos cenários feitos de panelas, relógios, caixinhas de música. Achamos importante ressaltar o ato de brincar com objetos não propriamente prontos, fomos buscando objetos para que a criança pudesse voltar o olhar de brincar” destacou.

A montagem traz outros aspectos importantes para serem pensados em sala de aula ou em casa e de grande importância para a convivência em sociedade: a consciência social e o cuidado com o outro. “Nosso personagem tenta enganar a Madrinha Morte seduzido pela sua possibilidade de ascensão social e riqueza, mas é surpreendido e punido por sua ação desleal e egoísta. Aqui, o conceito de consciência social é sugerido dentro de um panorama amplo – ecológico, inclusive, em que todos somos interdependentes e a responsabilidade de bom convívio deve ser de todos, em casa, na escola, na cidade e no planeta”, explicou Martins.

“A Madrinha” foi gravado e apresentado para o Londrina Mais e para a Secretaria Municipal de Educação, que exibiu o espetáculo em todas as escolas municipais de Londrina. Agora, na segunda parte da divulgação, estão as apresentações on-line, que possuem, como aspecto positivo, o alcance nacional.

Workshop com teatro e literatura – O projeto aprovado pelo Promic ainda prevê a realização de um workshop conduzido por Paulo Barcellos, com a assistência de Marcos Martins, sobre a transposição de obras literárias para o teatro, que acontecerá em janeiro de 2022.

O objetivo é desenvolver, a partir de um conto da literatura brasileira, uma série de exercícios coletivos de interpretação de texto, de reconhecimento dos acontecimentos da narrativa e ações das personagens numa aproximação intuitiva da obra e suas possibilidades formais de encenação, isso de forma prática e teórica para a montagem de uma obra teatral. O workshop “A Transposição da Literatura para a Cena”, com carga horária de seis horas, deve acontecer presencialmente – assim que for possível por conta dos decretos municipais vigentes, em dois finais de semana a serem definidos juntamente com a Secretaria Municipal de Educação.

A partir de uma obra literária, o workshop tem como essência a apropriação da linguagem teatral. “Acredito que a literatura, principalmente o conto literário, mais conciso em sua forma, possibilite iniciar o trabalho a partir de um contexto sociopolítico em que esse determinado autor está inserido”, afirmou Paulo Barcellos. “Com uma organização de pensamento crítico e poético em forma literária a partir do desejo de transpor essa obra em forma dramática existe a possibilidade de inserir os pontos de vista dos participantes na dramaturgia da obra”, completou.

Texto: Marcelo Cordero, com informações da assessoria de imprensa do projeto, e sob a supervisão do Núcleo de Comunicação da Prefeitura de Londrina



com informação da Prefeitura de Londrina

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